
Mário Valdemar Saraiva Leão (seu Mário) entregou sua vida a Deus através de suas orações, com 102 anos, 2 meses e 1 dia, na manhã desta quarta-feira 16\09\09.
Sua despedida ficou marcada para sempre, com esse seu jesto de católico fiel. Como orar era sua verdadeira prática, terminou assim seus últimos momentos da vida dessa forma e pedindo a Deus que o levasse pra o lugar que merecesse. O que nos deixou mais imprecionados foi com essa linda maneira de nos dá adeus! ( rezando).
Mário Saraiva era avô da primeira dama do município, Filadélfia Saraiva Neta (preta).
Pelo fato de seu Mário ter sido uma pessoa tão carinhosa por toda essa comunidade e também pelo fato dele ter contribuído muito para o desenvolvimento deste município, o prefeito Aldineide Saraiva deu dois dias feriados municipal por sua morte.
Mário Saraiva nasceu no dia 15\07\1907 em uma casinha de taipa que ficava próxima dos brandões em São José, hoje esse lugar é conhecido por barandão.
Seus pais eram Plácido Francisco Saraiva Leão e Maria Clara de Almeida Saraiva.
Foi batizado no sitio Santa Rosa, município de Brejo do Cuz-PB, pelo padre José Belizário. Mário foi levado de São José até a Santa Rosa por Lourenço Pereira da Costa, o qual foi seu padrinho. O transporte ultilizado para essa viagem foi simplesmente um cavalo, pois na época não havia automóvel em São José.
Aos 7 anos de idade passou a morar na casa grande da fazenda São José, logo após do falecimento de seu avô paterno Sabino Benício Saraiva Leão Castelo Branco, provavelmente em 1914.
Começou a estudar na sua própria casa, seu primeiro professor foi seu próprio pai. Depois passou a estudar na cidade de Caicó-RN, no grupo escolar Senador Guerra, foi colega de clase de monsenhor Valfredo Gurgel, sua vocação era ser padre também, mas com o falecimento de sua genitora no dia 28\02\1921, Mário não deu continuidade ao estudo, lamentável, pois ele foi sempre uma pessoa com grandes capacidades. Ao desistir de estudar, dedicou-se à agricultura e mostrou bastante disposto no trabalho braçal, trabalhava para casa mesmo pelo fato de depender da agricultura para sua sobrevivência. O algudão era o produto que mais favorecia melhores condições de vida ao povo deste sertão, pois era a base mais econômica dos agricultores, por isso esse produto era chamado de ouro-branco.
Aos 14 anos de idade, além de trabalhar na agricultura, ele trabalhava também na luta com gado. Nessa função foi onde ele cortou um dos dedos do seu pé, num pequeno acidente com uma foice. Inocentimente, ainda com a mentalidade de adolescente, improfisou uma idéia de colar seu dedo com leite de pião, mas a idéia foi aprovada por apenas um dia.
Aos 22 anos de idade casou-se com sua prima Maria Filadélfia Saraiva no dia 12\11\1929, na casa grande, sob as bênçãos do monsenhor Contantino Vieira. No mesmo dia casaram também seus irmãos Astéclides Álvaro Saraiva Leão com Lília Bastista, Firmo Martins de Oliveira com Maria Estefânia Saraiva Leão, eles casaram-se no civil no mesmo dia que se casaram no religioso. Mário foi quem disponibilizou de pagar o casamento de todos. Antes de Filadélfia, ele teve duas namoradas: Maria Santiago e uma irmã gêmea de Filadélfia, Filícia. Depois de casado, Mário e Filadélfia passaram a morar no sitio Matinha, uma das propiedades de seu pai.
No dia 17\02\1931 morre o pai de Mário Saraiva, daí então ele volta a morar na casa grande da fazenda, onde dedicou-se ao comércio. Era uma espécie de armazém de café em grão, açúcar, rapadura, sal e outros produtos.
No dia 11 de setembro de 1936 criou a primeira feira de São José sob a sombra do pé de cajarana em frente a casa grande.
Depois de um certo tempo começou a vender medicamentos e se mostrou bastante entendido no assunto. Enquanto pôde desempenhar suas funções de comerciante, esteve em atividade com sua farmácia e sua mercearia.
Ele teve muito sacrificio para possuir São José por inteira. Chegou a comprar as partes de seus irmãos e ainda outra metade de seu tio Binô.
Mário Saraiva abriu as portas para São José se tornar município, dando o 1º passo, a doação do patrimônio da igreja e nos presentiando com sua construção. Além da doação do terreno da igreja, doou também terreno de vários prédios público de São José.
Pelo fato de nos mostrar o seu empenho e esforço para possuir São José, registramos também a nossa estima e consideração ao nosso grande bem feitor, é o patriarca maior do nosso APRAZÍVEL MUNICÍPIO.
Pela a idade que ele se encontrava nos últimos momentos, sua memória nos trouxe muita admiração pela sua lucidez, pois ainda relatava fatos acontecidos no seu velho tempo de autrória, como se estivessem acontecidos recentimente. O que ele recordava muito também era de seus amigos de infância e de seu esporte preferido ( pescar). Mas sua infinita lembrança mesmo era de sua querida Filadélfia, essa que passou 67 anos ao seu lado, viveram juntos nessa união matrimonial até o dia 12\10\96, dia que Deus a levou, deixando a saudade no coração do seu amado esposo e nos dos filhos, também nos corações das pessoas que admiravam pela generosa pessoa que era. Foi uma pessoa humilde e disposta a encarar as dificuldades da vida. Ela foi sempre generosa demais com seu esposo e com seus filhos, e também com todos que andavam em sua casa.
Tive ainda a oportunidade de a conhecer e também de ser bem recebido por ela em sua casa. Infelizmente não tivemos contato tão próximo o quanto eu tive com seu Mário, que chegamos até andar juntos por muito tempo e foi daí que comecei a ter conhecimento da sua vida.
Seu Mário e eu fomos companheiros de caminhadas de alguns tempos, quando ele deixou de andar, eu continuei a ter contato com ele, ia todos os dias a casa de sua filha para conversarmos, e assim compri minha missão, prometi a sua filha que enquanto ele estivesse vivo eu estaria com ele até o fim.
Esse amigo companheiro ja se foi morar no lugar melhor, mas deixou duas companheiras comigo : A LEMBRANÇA E A SAUDADE. Deixou também o grande conhecimento da vida e a nossa amizade multiplicada e dividida com seus filhos, genros, noras, netos, bisnetos, em fim com toda sua familia.
Minha saudosa recordação:
MUITOS ANOS DE CONVIVÊNCIA
JAMAIS POSSO ESQUECER
SUA VIDA, SUA HISTÓRIA
QUE ACABEI DE ESCREVER
SEUS CONCELHOS SÃO ADOTADOS
E POR MIM SERÃO ENSINADOS
PRA QUEM QUISER APRENDER.
Descance em paz!